Os cientistas querem cultivar mRNA Vaccine Molecules em plantas comestíveis?


Ser capaz de comer vacinas como parte de sua dieta faria mais pessoas dispostas a tomá-las? Com as vacinas e, especialmente, o consumo de vacinas dominando as manchetes globais nos últimos dezoito meses, essa é uma questão que os pesquisadores da Universidade da Califórnia-Riverside estão abordando com novas pesquisas sobre o fornecimento de vacinas.

Novas pesquisas sobre a entrega de vacinas

As vacinas COVID-19, especialmente as vacinas Pfizer e Moderna, são as primeiras a usar a tecnologia RNA (mRNA) de mensageiro. Elas funcionam ensinando as células do sistema imunológico a reconhecer e atacar uma determinada doença infecciosa.

Um dos problemas com as vacinas mRNA é que elas têm que permanecer no armazenamento a frio até o uso ou perdem a estabilidade. A equipe da UC-Riverside diz que se tiverem sucesso, o público poderia comer vacinas de mRNA à base de plantas que poderiam ser mantidas à temperatura ambiente.

Com uma subvenção de $500.000 da National Science Foundation, os pesquisadores agora esperam alcançar três objetivos.

Vacinas de DNA contendo mRNA em células vegetais

Primeiro, a equipe tentará entregar com sucesso DNA contendo vacinas de mRNA em células vegetais, para permitir que elas se reproduzam. Em seguida, os autores do estudo querem mostrar que as plantas podem realmente produzir mRNA suficiente para substituir uma injeção tradicional. Finalmente, a equipe precisará determinar a dosagem correta que as pessoas precisarão comer para substituir adequadamente as vacinas. Leia aqui.

"O ideal seria que uma única planta produzisse mRNA suficiente para vacinar uma única pessoa", diz Juan Pablo Giraldo, professor associado do Departamento de Botânica e Ciências Vegetais da UCR, em um lançamento universitário.

"Estamos testando esta abordagem com espinafres e alface e temos metas de longo prazo de pessoas que a cultivam em seus próprios jardins", acrescenta Giraldo. "Os agricultores também poderiam eventualmente cultivar campos inteiros dele". Leia aqui.

 

Giraldo e uma equipe de cientistas da UC-San Diego e da Universidade Carnegie Mellon dizem que os cloroplastos são a chave para fazer vacinas comestíveis. Os cloroplastos são pequenos órgãos dentro de células vegetais que ajudam a converter a luz solar em energia, utilizando clorofila.

"São pequenas fábricas movidas a energia solar que produzem açúcar e outras moléculas que permitem que a planta cresça", explica Giraldo. "São também uma fonte inexplorada para fazer moléculas desejáveis".

Transferência de genes nas plantas

Estudos já demonstraram que os cloroplastos podem expressar genes que não são uma parte natural da planta, o que significa que eles poderiam ser potencialmente utilizados para produzir os materiais necessários para uma vacina contra o mRNA.

No novo estudo, Giraldo se uniu à professora da UC-San Diego Nicole Steinmetz para usar a nanotecnologia para fornecer mais material genético em cloroplastos. Leia aqui.

"Nossa idéia é redirecionar as nanopartículas naturais, ou seja, os vírus vegetais, para a entrega de genes às plantas", diz Steinmetz. "Algumas engenharias entram nisto para fazer as nanopartículas irem para os cloroplastos e também para torná-las não-infecciosas para as plantas". Leia aqui.

"Uma das razões pelas quais comecei a trabalhar na nanotecnologia foi para poder aplicá-la às plantas e criar novas soluções tecnológicas. Não apenas para alimentos, mas também para produtos de alto valor, como produtos farmacêuticos", acrescenta Giraldo.

Embora a pesquisa possa contribuir de alguma forma para acalmar os medos das pessoas que odeiam agulhas, é pouco provável que tranquilize aqueles que desconfiam da nova tecnologia do mRNA que está sendo usada em algumas das vacinas.

Achamos que é seguro dizer que, para alguns, isso será simplesmente mais um motivo para não comer seus verduras...